24 maio, 2015

Por que é urgente lutar contra a Otan e redescobrir o sentido da ação política

 

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 https://www.change.org/p/la-pace-ha-bisogno-di-te-sostieni-la-campagna-per-l-uscita-dell-italia-dalla-nato-per-un-italia-neutrale

Àqueles que na esquerda manifestam reservas e hesitações sobre o apelo e a campanha “Não à guerra, não à Otan; por um país soberano e neutro” – gostaria de sugerir que dediquem particular atenção para aquilo que a imprensa e demais meios de comunicação estadunidenses escrevem há algum tempo. 

Por Domenico Losurdo*

A guerra permanece no centro do discurso permanece; e esta, longe de se configurar como uma perspectiva hipotética ou remota, é discutida e analisada nas suas implicações políticas e militares. Em “The National Interest” de 7 de maio último, pode-se ler um artigo particularmente interessante. O autor, Tom Nichols, não é uma pessoa qualquer, é “professor de assuntos de Segurança Nacional na Academia da Marinha de Guerra”. O título é de per si eloquente e alarmante: “De que maneira a América e a Rússia poderiam provocar uma guerra nuclear” (How America and Russia Could Start a Nuclear War). É um conceito muitas vezes repetido no artigo (assim como nas aulas) do ilustre docente: a guerra nuclear “não é impossível”; mais do que removê-la, os Estados Unidos fariam bem em preparar-se para esta nos planos militar e político.

Mas como? Eis o cenário imaginado pelo autor estadunidense: a Rússia, que já com Ieltsin, em 1999, por ocasião da campanha de bombardeios contra a Iugoslávia, proferiu terríveis ameaças e com Putin, muito menos resignado com a derrota sofrida na Guerra Fria, acaba provocando uma guerra que de convencional se torna nuclear e conhece uma progressiva escalada. E eis o resultado: nos EUA são incontáveis as vítimas; a sorte dos sobreviventes talvez seja ainda pior, para encurtar o sofrimento, cogita-se levá-los à morte por eutanásia; o caos é total e só se pode fazer respeitar a ordem pública mediante a “lei marcial”. 

Agora vejamos o que ocorre no território do inimigo derrotado e golpeado não só pelos EUA mas também pela Europa e em particular pela França e o Reino Unido, duas potências nucleares: “Na Rússia, a situação será ainda pior [do que nos EUA]. A plena desintegração do Império Russo, iniciada em 1905 e interrompida apenas pela aberração soviética, finalmente acontecerá. Eclodirá uma segunda guerra civil russa e a Eurásia, por décadas ou mesmo por mais tempo, será apenas uma mistura de Estados étnicos devastados e governados por homens fortes. Qualquer resquício do Estado russo poderia reemergir das cinzas, mas provavelmente será sufocado de uma vez por todas por uma Europa sem a intenção de perdoar uma tão grande devastação”.

No título, o artigo aqui citado se refere apenas à possível guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia, mas claramente o autor não se contenta com pouco. O seu discurso prossegue evocando uma réplica desse cenário na Ásia. Nesse caso, não é Moscou, mas Pequim, que provoca primeiro a guerra convencional, depois a nuclear com consequências ainda mais terrificantes. O resultado, porém, é o mesmo: “Os Estados Unidos da América, de qualquer modo, sobrevivem. A República Popular da China, analogamente à Federação Russa, deixará de existir como entidade política”. 

É uma conclusão reveladora, que involuntariamente lança luz ao projeto, ou melhor, ao sonho, acalentado pelos campeões da nova guerra fria e quente. Não se trata de rechaçar a “agressão” atribuída à Rússia e à China, e não se trata tampouco de desarmar esses países e de pô-los na condição de não fazer nenhum mal. Não, trata-se de aniquilá-los enquanto Estados, enquanto “entidades políticas”. Ao menos no que se refere à Rússia, o autor deixa escapar que sua “desintegração” é o resultado de um processo benéfico iniciado em 1905, desgraçadamente interrompido pelo poder soviético, mas que poderia “finalmente” (finally) alcançar sua conclusão. A retardar a “desintegração” total da Rússia que se impõe, esteve apenas a “aberração” do país que emergiu da revolução de outubro. Pareceria que o autor estadunidense aqui citado exprime seu desapontamento e desilusão com a derrota sofrida pela Alemanha nazista em Stalingrado.

Uma coisa é certa: destruir a Rússia como “entidade política” era o caro projeto do Terceiro Reich. E, portanto, não é um acaso que a Otan, ao menos na Ucrânia, colabore abertamente com movimentos e círculos neonazistas. Destruir a China como “entidade política” era, por seu turno, o caro projeto do imperialismo japonês, êmulo na Ásia do imperialismo hitleriano. E, portanto, não é por acaso que os Estados Unidos reforçam o seu eixo com o Japão, que renega sua Constituição pacifista e está empenhado em um tresloucado revisionismo histórico, reduzindo a trapo um dos capítulos mais horríveis da história do colonialismo e do imperialismo (os crimes com que se manchou o Império do Sol Nascente na tentativa de sujeitar e escravizar o povo chinês e outros povos asiáticos).

O artigo que citei longamente é sintomático. Já de acordo com a doutrina proclamada por Bush Jr., os Estados Unidos se atribuíam o direito de quebrar tempestivamente a emergência de possíveis competidores da superpotência então única. Claramente tal doutrina continua a inspirar na república norte-americana círculos militares e políticos prontos a correr o risco mesmo de uma guerra nuclear.

É a esta ameaça que querem responder – finalmente! – o apelo e a campanha “Não à guerra, não à Otan; por um país soberano e neutro”. É encorajador que nesta iniciativa estejam empenhadas personalidades ilustres com diversas orientações políticas e ideológicas. É possível promover um alinhamento de forças bastante amplo em defesa da paz mundial e da salvação do país. 

Contudo, como mencionei acima, às vezes nos deparamos com reservas e hesitações que se manifestam em ambientes inesperados e insuspeitos e que até mesmo pertencem ao movimento comunista. São reservas e hesitações cujo sentido não se compreende bem. Será que para começarmos a nos organizar contra a guerra devemos esperar que surja a perspectiva de destruição e de morte em larga escala que emerge da imprensa internacional e em primeiro lugar da estadunidense? Seria uma posição irresponsável e suicida. É verdade, as forças que compreenderam a real natureza da Otan e que estão prontas a lutar contra ela são hoje mais reduzidas. Mas desta constatação deriva não a legitimidade do adiamento do nosso empenho na luta pela paz, mas ao contrário, a sua absoluta urgência. Temos uma grande história sobre nossos ombros. Em sua época, Lênin lançou a palavra de ordem da transformação da guerra em revolução, quando os jovens, em diversos países europeus, cegos durante algum tempo pela ideologia dominante, acorriam entusiasmados e em massa ao alistamento voluntário como se fossem a um encontro amoroso.  Obviamente, a situação contemporânea é diferente, mas não há motivos para abdicar do dever de difundir a consciência do perigo de guerra e de denunciar a política de guerra da Otan. Agora é possível contestar e refutar uma a uma as manipulações da indústria da mentira que é ao mesmo tempo a indústria da propaganda bélica; agora é possível e necessário contrastar cada medida política e militar que ameaça a aproximação da catástrofe. E tudo isto sem nunca perder de vista o objetivo estratégico de expulsar a Otan de nosso país.

As reservas e hesitações em face do apelo e da campanha contra a Otan não têm nenhuma plausibilidade política e moral. Há, porém, uma explicação, que não é uma justificativa. Ao menos na Europa ocidental, a dura derrota sofrida pelo movimento comunista entre 1989 e 1991 comportou um terrível empobrecimento não só teórico, mas também ético-político. O primeiro é amplamente conhecido, e eu tentei contribuir para esclarecê-lo em primeiro lugar com os meus livros sobre a “esquerda ausente” e sobre o “revisionismo histórico”. Agora direi algo sobre o empobrecimento ético-político: mesmo os intelectuais que não se associam ao coro empenhado em denegrir a “forma-partido”, frequentemente se revelam incapazes de agir coletivamente. Parece que se esqueceram do significado da ação política e sobretudo de uma ação política que pretenda transformar radicalmente a realidade existente e que, portanto, é obrigado a defrontar-se com um aparato de manipulação mais poderoso do que nunca. Sabemos desde os nossos clássicos que a pequena produção é o terreno sobre o qual se enraíza o anarquismo. O moderno desenvolvimento das comunicações digitais comporta de fato um forte relançamento da pequena produção intelectual. Eis que no clima que se criou depois da derrota de 1989-1991 e ao correlato empobrecimento ético-político, não poucos intelectuais, mesmo de orientação comunista, tendem a fechar-se cada qual em seu blog e sítio de internet. No blog e no sítio o intelectual isoladamente tem que se haver consigo mesmo, sem se confrontar com as contradições e conflitos que são próprios da ação política enquanto ação coletiva. 

Temos agora blogs e sítios de orientação comunista, não poucas vezes valiosos e algumas vezes muito valiosos, mas frequentemente em diversas medidas atingidos por aquela velha doença que é o anarquismo de grande senhor, que se tornou mais grave e mais dificilmente curável pelo empobrecimento ético-político que mencionei e agora em condições de manifestar-se sem obstáculos graças aos milagres da comunicação digital. Para todos esses intelectuais o próprio blog e o próprio sítio são ao mesmo tempo o partido e o jornal como tais. E esses intelectuais se posicionam de tal modo pelo fato de que – lamentam – faltam o partido e o jornal.

Sobretudo no que se refere ao primeiro ponto, os leitores deste blog já conhecem as posições que assumi publicamente, e não preciso repetir. Quero acrescentar apenas uma observação. Se os diversos sítios e blogs de que falei se empenhassem em conduzir a campanha “Não à guerra, não à Otan; por um país soberano e neutro”, denunciando dia após dia os planos de expansão e de guerra da Otan e as suas manobras para desestabilizar por todos os meios (até recorrendo ao ISIS) os países que se opõem a tudo isso, daríamos um passo concreto e importante para a fundação de um jornal nacional (no sentido leninista e gramsciano do termo). E se no curso desta campanha um número considerável de intelectuais e militantes redescobrissem o desejo e o sentido da ação política, que é sempre uma ação coletiva sobretudo quando se persegue objetivos de transformação radical da realidade político-social, então daremos um passo concreto e importante para a solução do problema do partido, objetivo para o qual todos somos chamados a nos empenhar.

*Domenico Losurdo é escritor e historiador italiano
Fonte: www.marx21.it
Tradução de José Reinaldo Carvalho

23 maio, 2015

A luta de classes uma história política e filosófica

Lançamento no Brasil da recente obra do Losurdo:

A luta de classes 

uma história política e filosófica

 

Nesse livro, Domenico Losurdo analisa o presente e o passado da luta de classes e se fixa numa expressão intrigante usada no Manifesto Comunista, de Marx e Engels, ou seja, “lutas de classes”. Para o filósofo, esse plural é pleno de significado e consequências, que nem sempre foram percebidos, no desenvolvimento da luta política ao longo da história.

Losurdo entende que o tema de sua obra não se restringe apenas ao conflito entre as classes proprietárias e os trabalhadores. É também "a exploração de uma nação por outra", como denunciou Karl Marx, e a opressão "do sexo feminino pelo masculino", como Friedrich Engels escreveu.
A proclamação do ocaso da teoria marxista por intelectuais e políticos na década de 1950 no Velho Continente, aliás, é criticada pelo autor. Ele afirma que se tratou de um erro duplo, tanto por disfarçar a realidade do capitalismo, sugerindo um nivelamento das diferenças sociais que nunca existiu, como por ignorar as ásperas lutas de classes que se desenvolviam, como a revolução anticolonial no Vietnã, em Cuba e no “Terceiro Mundo” – e também a luta dos negros nos Estados Unidos para pôr fim ao sistema de segregação, discriminação e opressão.
Losurdo defende que, diante das diferentes formas de luta de classes, urge a mudança da divisão do trabalho e das relações de exploração e opressão que existem tanto no espectro global, entre Estados, como no interior de um país e até mesmo na instituição familiar.
As colossais mudanças que marcaram a transição entre os séculos XX e XXI fazem da luta de classes fundamental para nosso tempo. “É claro para muitos que hoje a sociedade brasileira está imersa em uma intensificação ‘das lutas de classes’ que nem sempre é de fácil leitura. Para os ativistas sociais, o conhecimento do método de análise e das informações fornecidas por Domenico Losurdo pode ser de grande utilidade para a construção de programas de lutas eficazes”, conclui José Luiz Del Roio no texto de orelha.

14 maio, 2015

Domenico Losurdo chega no Brasil em junho de 2015

DOMENICO LOSURDO
 CHEGA NO BRASIL EM JUNHO DE 2015




BOITEMPO EDITORIAL E SESC SÃO PAULO REALIZAM SEMINÁRIO INTERNACIONAL CIDADES REBELDES, DE 9 A 12 DE JUNHO, EM SP

David Harvey, Stephen Graham, Domenico Losurdo e Moishe Postone são alguns
dos especialistas que debatem o presente e o futuro das cidades

A Boitempo Editorial, que completa 20 anos de atividade em 2015, e o Sesc São Paulo realizam entre os dias 9 e 12 de junho o Seminário Internacional Cidades Rebeldes, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Estarão reunidos mais de 50 conferencistas para discutir o presente e o futuro das cidades como palco de disputas políticas, ideológicas e sociais.  

A urbanização é o motor de uma economia de escala planetária, que vem despejando concreto em um ritmo sem precedentes sobre a superfície terrestre. Estudos apontam que em 2050 mais de 75% da população mundial habitará cidades. No entanto, o boom de urbanização não tem se traduzido em maior qualidade de vida para a população; pelo contrário, a vida nas cidades está cada vez mais difícil.
É neste contexto que grupos de pensadores e ativistas estão explorando alternativas, por vezes no despertar de revoltas urbanas, e em outras instâncias, como neste seminário internacional, para estimular a busca por melhores formas de vida urbana.
O Seminário Internacional Cidades Rebeldes é composto por duas etapas simultâneas. A primeira conta com alguns dos principais nomes do urbanismo e da economia crítica brasileira, como Marcio Pochmann e Ermínia Maricato, e abrange um curso de introdução à obra do geógrafo britânico David Harvey, professor emérito da City University of New York (CUNY), especialista em geografia urbana, autor do livro Paris: capital da modernidade e um dos autores da coletânea Cidades rebeldes: Passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil
Considerado uma das maiores referências mundiais na análise crítica processos urbanos da modernidade, Harvey estará presente na segunda etapa do evento, o seminário propriamente dito. A lista de convidados internacionais conta ainda com Stephen Graham, professor de Cidades e Sociedades na Escola de Arquitetura da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, e autor do livro Cities Under Siege e um dos autores da coletânea Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superaçãoDomenico Losurdo, professor de História da Filosofia na Universidade de Urbino, na Itália, autor de A luta de classes: uma história política e filosófica; e Moishe Postone, canadense, professor de História na Universidade de Chicago e autor de Tempo, trabalho e dominação social: uma reinterpretação da teoria crítica de Marx; dentre outros.
Já a representação brasileira reúne, entre outros nomes, o filósofo Vladimir Safatle; o jornalista e cientista político André Singer; os arquitetos e urbanistas Raquel Rolnik e Guilherme Wisnik; o membro da coordenação nacional do MTST, Guilherme Boulos; os psicanalistas Christian Dunker e Maria Rita Kehl; o jornalista Juca Kfouri; e o deputado federal Jean Wyllis.
O Seminário Internacional Cidades Rebeldes prevê ainda o lançamento de sete obras da Boitempo Editorial: A cidade das letras, de Ángel Rama; A luta de classes: uma história política e filosófica, de Domenico Losurdo; De que lado você está? Reflexões sobre a conjuntura política e urbana no Brasil, de Guilherme Boulos; Paris: capital da modernidade, de David Harvey; a coletânea Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação, e a 24° edição da Revista Margem Esquerda, com dossiê temático “Cidades em conflito; Conflitos nas cidades”.

Inscrições
Mais informações sobre as inscrições serão divulgadas através do site www.cidadesrebeldes.com.br.

Temas e convidados

Inserido em uma tradição de parcerias entre a Boitempo Editorial e o Sesc São Paulo (Revoluções, em 2011 e Marx: a criação destruidora, em 2013) , o seminário desta vez pretende ir além da discussão acadêmica, envolvendo também palestrantes ligados à vida pública, ao poder institucional, a movimentos sociais e políticos, às artes e que tem em comum um histórico de pensamento em relação às cidades, à questão urbana e ao seu papel nas transformações sociais.

Temas como “Trabalho, Mobilidade e Flexibilização: A Dominação Social Hoje”,  “Que Cidade Queremos? Apontamentos para o Futuro”, “Cidades Pra Quem? Ganhar e Perder a Vida na Periferia da Periferia do Capital” e “Da Primavera dos Povos às Cidades Rebeldes: Para Pensar a Cidade Moderna” colocarão em pauta questões como os efeitos do neoliberalismo nas cidades, as insurgências urbanas na história, a urbanização militarizada, os megaeventos esportivos, desenvolvimento urbano e meio ambiente, a mobilidade e as novas configurações das lutas de classe.

“Entendemos que é o momento de reunir pessoas com as mais diversas abordagens em relação aos problemas das cidades para discutir  novas formas, soluções e modelos de organização do espaço público, enfrentando os desafios do presente. Ao ocupar um espaço acessível e popular como o Sesc, buscamos uma perspectiva democrática para o debate, propondo que convidados e público saiam de suas respectivas zonas de conforto intelectual para estabelecer diálogos e pensamentos em conjunto”, afirma Ivana Jinkings, fundadora da Boitempo Editorial.


SEMINÁRIO INTERNACIONAL CIDADES REBELDES
PROGRAMAÇÃO

Etapa 1 - Curso de Introdução à obra de David Harvey
A primeira etapa consiste em quatro aulas de iniciação à vasta obra do geógrafo britânico David Harvey, abordando elementos de geografia, urbanismo, economia e filosofia em sua produção:

09/06 – 13h às 15h – Aula 1 – A cidade moderna.
Com Raquel Rolnik

10/06 – 11h às 13h – Aula 2 – Para entender as crises do capitalismo.
Com Marcio Pochmann

11/06 – 11h às 13h – Aula 3 – A cidade global e os limites do capital.
Com Mariana Fix

12/06 – 11h às 13h – Aula 4 – O direito à cidade e as cidades rebeldes.
Com Ermínia Maricato

Etapa 2 – Seminário internacional Cidades rebeldes

9 de junho, terça-feira.

20h – Trabalho, mobilidade, flexibilização: a dominação social hoje
Com Moishe Postone, entrevistado por Jorge Grespan e Ricardo Antunes. 

10 de junho, quarta-feira.

14h – Revoltas e conciliação na história do Brasil
Com Vladimir Safatle, José Luiz Del Roio e Tales Ab’Saber. Mario Sergio Conti (mediação).

17h – Cidade pra quem? Ganhar e perder a vida na periferia da periferia do capital
Sérgio Amadeu (mediação).

20h – Lutas de classe: sindicalismo, partidos e movimentos sociais
Com Domenico Losurdo, entrevistado por André Singer e Ruy Braga. Breno Altman (mediação).

11 de junho, quinta-feira.

14h – Nacionalismo, identidade nacional e segregacionismo
Com Guilherme Boulos, Gilberto Maringoni e Christian Dunker. Matheus Pichonelli (mediação).

17h – Megaeventos esportivos e megaprojetos em cidades à venda
Com Luis Fernandes, Carlos Vainer e Juca Kfouri. Renato Rovai (mediação).

20h – Polis, polícia: violência policial & urbanização
Com Stephen Graham, entrevistado por Paulo Sérgio Pinheiro e Raquel Rolnik. Leonardo Cazes (mediação).

12 de junho, sexta-feira.

14h – Que cidade queremos? Apontamentos para o futuro da cidade
Com Maria Rita Kehl, Ermínia Maricato, Jean Wyllys, Paulo Lins e Nabil Bonduki. Leonardo Sakamoto (mediação).

17h - Bem-vindos ao deserto do capital: crise hídrica, meio ambiente e capitalismo
Com Virgínia Fontes, Alexandre Delijaicov e Camila Moreno. Bruno Torturra (mediação).

20h – Da Primavera dos Povos às cidades rebeldes: para pensar a cidade moderna
Com David Harvey, entrevistado por Guilherme Wisnik.  Flávio Aguiar (mediação).


Boitempo Editorial – 20 anos

A Boitempo Editorial foi fundada em 1995, por Ivana Jinkings. Inicialmente, o objetivo era editar textos de indiscutível relevância, esquecidos ou ainda inéditos no Brasil, como a obra de estreia – Napoleão, de Stendhal, livro que revela o lado “historiador político” do escritor.
A ele se seguiram outros clássicos da literatura, como Machado de Assis, Anatole France e Jack London. Aos poucos, as escolhas passaram a abarcar também novos autores, como Edyr Augusto e João Carrascoza, passando por nomes já consagrados, como Flávio Aguiar e Roniwalter Jatobá.
Os temas são variados e amplos: indústria cultural, ditadura militar, neoliberalismo, trabalho, capitalismo, comunismo, marxismo, questões de gênero, filosofia, educação, ética e meio ambiente.
Entre os principais autores estão Boaventura de Sousa Santos, David Harvey, Edward Said, Ellen Wood, Emir Sader, Francisco de Oliveira, François Chesnais, Giorgio Agamben, György Lukács, Immanuel Wallerstein, István Mészáros, Leandro Konder, Maria Rita Kehl, Michael Löwy, Mike Davis, Perry Anderson, Ricardo Antunes, Tariq Ali e Slavoj Žižek.
A Boitempo mantém ainda seis coleções, coordenadas por alguns dos principais intelectuais brasileiros: Estado de Sítio, dirigida por Paulo Arantes; Marxismo e Literatura, por Leandro Konder; Mundo do Trabalho, por Ricardo Antunes; Pauliceia, por Emir Sader; além das coleções de clássicos e das obras de Karl Marx e Friedrich Engels, estas em edições comentadas e traduzidas diretamente do alemão. Semestralmente publica a revista Margem Esquerda, de estudos marxistas.
Em 2011, a editora passou a disponibilizar seus livros também em formato digital – os chamados ebooks – e a ter maior presença nas redes sociais, mostrando que valoriza a acessibilidade e o contato direto com o leitor.

Seminário Internacional
Cidades Rebeldes

De 9 a 12 de junho de 2015

Local: Sesc Pinheiros

Rua Pereira Leite, 373 – Sumarezinho – São Paulo, SP.

Mais informações: www.cidadesrebeldes.com.br

Realização:
Boitempo Editorial e Sesc São Paulo

Apoio:

Fundação Perseu Abramo           
Fundação Rosa Luxemburgo
Fundação Maurício Grabois

09 março, 2015

Lançamento do livro AUTOCENSURA E COMPROMISSO NO PENSAMENTO POLÍTICO DE KANT



AUTOCENSURA E COMPROMISSO NO PENSAMENTO POLÍTICO DE KANT
Domenico Losurdo

Tradução: Ephrain Ferreira Alves

Editora: Ideias & Letras
Páginas: 256 Edição: 1ª Ano: 2015
ISBN: 978-85-65893-63-3


http://livrariaideiaseletras.com.br/produtos/detalhe/1284/autocensura_e_compromisso_no_pensamento_politico_de_kant

31 janeiro, 2015

A polêmica sobre A Esquerda Ausente



A polêmica sobre A Esquerda Ausente, de Domenico Losurdo

11 dezembro, 2014

Losurdo e a teoria de RI - Crítica Marxista



O pensamento de Domenico Losurdo:
uma contribuição à teoria crítica de Relações Internacionais

Diego Pautasso[1]
 
Resumo
O objetivo desse artigo é mostrar que a obra de Domenico Losurdo pode fornecer uma importante contribuição ao debate das Relações Internacionais (RI), sobretudo às escolas de pensamento crítico. O argumento central é que tanto a originalidade de sua perspectiva crítica de temas ligados a assuntos internacionais, quanto sua metodologia voltada aos textos originais e à abordagem histórica são cruciais para os estudos internacionais contemporâneos. 
Palavras-chave:Teoria Crítica; Domenico Losurdo; Marxismo.


[1]É doutor e mestre em Ciência Política e graduado em Geografia pela UFRGS. Atualmente é professor de Relações Internacionais da ESPM Sul e da UNISINOS, bem como integrante do Núcleo de Pesquisas em Estudos Globais (NUPEG). Autor do livro China e Rússia no Pós-Guerra Fria, ed. Juruá, 2011. E-mail: dpautasso@espm.br

Este artigo está publicado na revista Crítica Marxista 39:
http://www.livrariamarxista.com.br/acessorios/revistas

05 agosto, 2014

Nós acusamos



  



Nós signatários do presente Apelo, consternados pelos acontecimentos em curso na “Faixa de Gaza”,

acusamos os governadores atuais de Israel que, contra o povo palestino, prosseguem com uma política de expansionismo colonial, de limpeza étnica e de massacre;

acusamos os precedentes governadores do estado de Israel que efetuaram a expropiação de terras, de bens e da memória das pessoas que vivem na Palestina há séculos;

acusamos o exército de Israel, e todos os outros corpos armados desse Estado, que
faz recurso ao uso de métodos mais infames do colonialismo (aqueles, não por acaso, herdados do Terceiro Reich), usando armas proibidas pelas convenções internacionais e se comportando como uma força de ocupação colonial, tratando os palestinos como seres inferiores, a serem expulsos, e quando possível, e com o mínimo pretexto, a serem eliminados;

acusamos os políticos, os homens de negócio e da indústria financeira dos Estados Unidos da América, que sem o apoio constante a Israel esse Estado não poderia nem existir, que garantem a impunidade usufruida por Israel;

acusamos os governos e parlamentos dos Estados-membros da União Europeia e do Parlamento e a Comissão Europeia, a cumplicidade ativa ou passiva com o expansionismo colonial, a limpeza étnica e os massacres que infligem o povo palestiniano;

acusamos a ONU (Organização das Nações Unidas) pela sua incapacidade em bloquear Israel, para impedir a sua arrogância, aplicar sanções de condenação (hoje 73) que, ao longo dos anos, foram promulgadas pelo Conselho de segurança, contra Israel, especialmente aqueles que exigem o regresso de Israel às fronteiras estabelecidas antes de 1967 e o retorno de 700.000 refugiados palestinos;

acusamos os meios midiáticos ocidentais, súcubes dos Estados Unidos e de Israel, que fornecem uma falsa, ou muitas vezes invertida, representação da realidade, apresentando a ação militar israelense como uma "legítima defesa", e na maioria das vezes como "desproporcional".

acusamos a grande corrente de intelectuais internacionais muito surdos e lentos diante do massacre em curso;

acusamos as autoridades do cristianismo internacional, a partir da Igreja de Roma, que são somente capazes de dizer débeis palavras de "paz", negligenciando de anunciar quem são as vítimas e os carrascos;

acusamos a sociedade israelense como um todo que, envenenada pelo chauvinismo e pelo racismo, mostra indiferença ou pior no confronto contra a tragédia do povo palestino e faz pensar uma séria ameaça sobre a mesma minoria árabe;
Enquanto manifestamos a nossa solidariedade e admiração para as personalidades da cultura e os cidadãos e cidadãs do mundo judeu que, apesar do clima de intimidação, condenam os horrores infligidos ao povo palestino, nós acusamos os líderes das comunidades judaicas espelhadas pelo mundo que muitas vezes se tornam cúmplices do governo de Tel Aviv, que está se tornando a principal fonte de uma preocupante nova onda de anti-semitismo; comportamentos que rejeitamos e condenamos categoricamente, em qualquer forma que esses se apresentem. Expressamos nosso maior apreço às organizações como a rede “ECO (Hebreu contra a ocupação), dedicados a realizar a tarefa difícil, mas essencial, de mostrar que nem todos os judeus compartilham a política perversa dos governos israelenses e lutam pela liberdade do povo palestino.

Portanto, exigimos que o mundo se mobilize contra Israel: não é o bastante, apesar de louvável, a campanha do BDS (“Boycott Disinvestment Sanctions”); Nós acreditamos que devemos levar o estado de Israel perante um Tribunal Internacional especial pela destruição da Palestina. Não somente os líderes militares ou políticos, mas um inteiro estado (e seus cúmplices): seu passado, seu presente e seu presumido futuro. Se queremos salvar o povo palestino, a justiça e a verdade, temos de agir agora, não somente bloqueando a matança em Gaza, mas o lento genocídio de um povo. Queremos lutar pela pacífica convivência dos árabes, judeus, cristãos e cidadãos de qualquer ordem religiosa ou proveniência étnica, rejeitando as pretensões de qualquer Estado "etnicamente puro".

Pedimos

UMA NUREMBERG PARA ISRAEL

25 julho 2014

Para aderir ao Apelo, enviar um e-mail para info@historiamagistra.it, com os seguintes dados: nome-sobrenome-profissão-cidade-Estado