Ao resgatar as relações entre colonialismo e escravidão, o
filósofo italiano ataca a contradição fundamental do liberalismo
político em relação à democracia e aos direitos humanos universais.
Conferência na Universidade Federal do Maranhão foi prestigiada por
intelectuais locais e membros do Governo do Estado.
O filósofo italiano Domenico Losurdo atraiu um multidão de estudiosos
ao auditório da Universidade Federal do Maranhão, onde houve a
conferência sobre “Marx e o balanço histórico do século XX”. Foi uma
oportunidade inédita oferecida aos maranhenses pela Fundação Maurício
Grabois do Maranhão e a UFMA, assim como as editores Anita Garibaldi e
Boitempo, que lançaram os livros do autor.
Losurdo é um dos mais respeitados pensadores marxistas da atualidade.
Leciona filosofia da história na Universidade de Urbino. Possui uma obra
monumental e é um dos estudiosos italianos mais traduzidos no mundo.
Desde 1988 preside a Internationale Gesellschaft Hegel-Marx für
Dialektisches Denken (Sociedade Internacional Hegel-Marx para o
pensamento dialético), e é membro fundador da Associação Marx Século
XXI.

Nesta
sua turnê pelo Brasil, que teve início esta semana em São Paulo e
incluirá também o Rio de Janeiro, Losurdo gentilmente aceitou o convite
da Fundação Maurício Grabois para deslocar-se até São Luís. Na
conferência que ministrou na cidade, Losurdo apresentou novas facetas de
seu trabalho intelectual, todo ele voltado à desconstrução dos mais
importantes mitos do liberalismo político – os mesmos que povoam nossa
imprensa como verdades incontestáveis.
Entre esses mitos, destaca-se a ideia de que a democracia moderna e a
universalização do conceito de homem – e, portanto, a aceitação dos
direitos humanos como atributos de todos, sem distinção de sexo, idade,
raça e credo – seriam consequências lógicas ou naturais do
desenvolvimento do liberalismo burguês.
Losurdo lembra que escravidão e liberalismo conviveram em relativa
harmonia tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos. Estes últimos
continuaram excluindo os negros de seus direitos básicos até passado
muito recente. Também não se enquadravam no conceito liberal de
humanidade os povos das colônias, encarados – na melhor das hipóteses –
como crianças a serem tuteladas.
Mesmo o tão decantado direito de livre organização teve de ser
conquistado pelo proletariado em luta. Por isso, na visão do intelectual
italiano, “a democracia moderna não pode ser compreendida sem as ideias
e lutas da tradição democrático-socialista”.
Losurdo foi prestigiado pelo reitor da UFMA, Natalino Salgado, e a
reitora recém-eleita da Universidade, Nair Portela. Acompanharam o
professor Losurdo, o presidente da Fundação Maurício Grabois, Adalberto
Monteiro, e o professor adjunto do departamento de Comunicação Social da
Ufma, Fábio palácio. A sessão de autógrafos no hall do auditório lançou
os livros “Marx e o Balanço Histórico do Século XX”, editado pela
parceria entre Fundação Maurício Grabois e editora Anita Garibaldi, e “A
Luta de Classes – Uma História Política e Filosófica”, publicado pela
Boitempo Editorial.
Grabois maranhense
O evento serviu também ao relançamento da FMG-MA, cuja diretoria foi
empossada com os seguintes membros: Alan Kardec Duailibe, professor da
UFMA, Cristiano Capovilla, professor da UFMA, Egberto Magno, advogado e
historiador, Elba Mochel, professora da UFMA, Fátima Oliveira, médica e
escritora, Fernando Lima, médico, Joãozinho Ribeiro, bacharel em direito
e professor universitário, Jonathan Almada, historiador e
secretário-adjunto de Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do
Maranhão, Laurinda Pinto, pedagoga e secretária da Mulher do Governo do
Estado do Maranhão, Luiz Pedro, jornalista e diretor da Tv Assembleia do
Maranhão, Régina Galeno, educadora, Sálvio Dino, advogado, e Fábio
Palácio, que assumiu a Presidência da Seção Regional Maranhão da
Fundação Maurício Grabois.
Na foto, da dir. para a esq.: Alan Kardec, prof. associado da UFMA;
Fernando Carvalho, vice-reitor eleito da UFMA; Nair Portela, reitora
eleita da UFMA; prof. Domenico Losurdo; Natalino Salgado, reitor da
UFMA; Fábio Palácio, prof. adjunto da UFMA; Li Chang-Shuen, profa.
adjunta da UFMA, e a tradutora Emily Monique.
A Fundação tem a finalidade de promover estudos, pesquisas e análises
nas áreas política, econômica, social e cultural, sobre realidade
brasileira e mundial; realizar trabalho de educação política e formação
militante, e organizar acervo sobre a história e a memória do Partido
Comunista do Brasil e do movimento operário e popular.
Segundo Palácio, para cumprir suas finalidades e enfrentar as tarefas
teóricas da contemporaneidade a Fundação terá de realizar seu trabalho
interagindo com o conjunto das forças e intelectuais progressistas e de
esquerda.
"Com base neste entendimento, a Fundação foi concebida como um espaço
de confluência, um local para o encontro entre o labor intelectual
desenvolvido pelos comunistas e o trabalho de semelhante natureza
realizado por intelectuais e outras organizações do campo marxista e
progressista do Brasil e de outros países. Tendo em vista esse
intercâmbio com o pensamento avançado, a Maurício Grabois valoriza o
diálogo com a universidade brasileira e outras instituições de pesquisa e
estudo, e também com intelectuais, pesquisadores e personalidades do
mundo da cultura que tenham afinidade com seus propósitos e se disponham
a colaborar com o êxito de seu trabalho”, explicou.
A Fundação Maurício Grabois, para defender, difundir e enriquecer o
marxismo, conhecer e compreender mais e melhor o Brasil e a realidade
mundial, de acordo com o novo presidente, desenvolve ampla agenda de
atividades tanto por iniciativa própria quanto em parceria com outras
organizações congêneres ou instituições afins. “É uma agenda
diversificada e contempla a realização de pesquisas, estudos,
seminários, conferências, debates, cursos e outras atividades de
formação, e ainda, iniciativas editoriais”.
No
Maranhão, a seção estadual da Fundação buscará agregar aos seus
objetivos originais, o conhecimento da realidade regional. De acordo com
Palácio, os propósitos principais são “o desenvolvimento e a divulgação
do pensamento marxista e de esquerda no estado e a formulação de
propostas de políticas públicas que contribuam para o esforço ora
empreendido pelo governo Flávio Dino no sentido de livrar o Maranhão dos
flagelos da pobreza e do subdesenvolvimento”. “Começamos esta nova fase
de nossas atividades em alto estilo, trazendo a São Luís um dos mais
importantes pensadores políticos da atualidade”, celebrou Palácio,
destacando a nova fase política pela qual passa o Estado com a eleição
do governador comunista Flávio Dino.
Dentro da agenda do pensador italiano na capital Maranhense, ele não
podia deixar de conhecer o governador comunista que derrotou a
oligarquia Sarney, em 2014. Losurdo pode testemunhar as primeiras ações
do Governo Flávio Dino, que enche os maranhenses de esperança na
possibilidade de superar a extrema pobreza que assola o Estado, há
tantas décadas.
Foi na quinta-feira, 19, que o governador Flávio Dino, em
reconhecimento ao valor e importância da visita do professor Losurdo ao
Maranhão e suas contribuições teóricas e políticas, o recebeu no Palácio
dos Leões para um almoço, dando as boas vindas ao Estado.
Também reconhecendo o papel da Fundação Grabois, Dino convidou para o
almoço integrantes da seção estadual da Fundação, membros do seu
Secretariado e os reitores da UFMA.
Na foto, da esquerda para a direita, o presidente da Fundação
Maurício Grabois, Adalberto Monteiro, o reitor da UFMA, Natalino
Salgado, o governador Flávio Dino, o professor Losurdo, o presidente da
seção estadual da Grabois, Fábio Palácio e a reitora eleita da UFMA,
Nair Portela.
Abaixo, em outra foto de Karlos Geromy, os membros da seçao
estadual da Grabois, integrantes do Secretariado do Governo Estadual e o
reitor e a reitora eleita da UFMA. Ao centro, o governador Flávio Dino e
o professor Losurdo.
Aqui, um registro do governador e de Losurdo, acompanhados de
Márcio Jerry, presidente do PCdoB-MA, e secretário de Articulação
Política do Governo, com outros membros do Secretariado.
Abaixo, registro da seção de autógrafos na UFMA, após a conferência.

Ainda
nesta sexta-feira, 19, Losurdo fez novo debate com maranhenses no
auditório do hotel onde se hospeda. O debate versou sobre a realidade
atual na Europa e as condições da esquerda europeia. Foi uma troca de
impressões, em que Losurdo também ouviu Márcio Jerry, secretário do
Governo do Maranhão e presidente do PCdoB-MA. Antes do professor, Jerry
apresentou um panorama da situação politica do Maranhão e os desafios do
governo de tornar vitorioso o projeto que foi eleito nas urnas.
O presidente da Grabois, Adalberto Monteiro, participou de toda a
movimentação e teve encontros com membros da seção estadual da entidade.
O novo presidente da seção local, Fábio Palácio, trocou ideias sobre a
agenda no Maranhão, focando sobretudo em reunir e agregar acadêmicos,
intelectuais e artistas maranhenses para o debate de caminhos e ideias
que possam levar ao desenvolvimento social do Estado.
Nesta última foto, Losurdo, Jerry, Palácio e Monteiro.
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